quinta-feira, 30 de maio de 2013

Entrouverte

Você está passando por um corredor, uma casa que nunca havia entrado antes em sua vida. Imagine um quarto vazio, mobiliado, com três livros abertos no chão. Um prato vazio ao lado do teclado do computador. Uma mesa debaixo de uma janela. Essa janela está entreaberta, e parece que permanecia assim há dias.
Você olha para dentro através da porta  tentando imaginar quem mora ali. Algumas coisas você vai descobrir rápido...o sexo da pessoa, o que ela faz, idade, alguns gostos.
As outras coisas vão ser bem difíceis de entender. E outras, outras...impossíveis.


sábado, 25 de maio de 2013

(5-11-1932)



Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.

Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.

Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta [...]

- Fernando Pessoa